RELATÓRIO ANUAL 2001


DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Em 31 de Dezembro de 2001 e de 2000

 

- Relatório da Administração
- Parecer dos auditores independentes
- Quadro I - Balanço patrimonial
- Quadro II - Demonstração do resultado
- Quadro III - Demonstração das mutações do patrimônio líquido
- Quadro IV - Demonstração das origens e aplicações de recursos
- Notas explicativas às demonstrações financeiras

 

 


RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO DE 2001 topo

Aspectos de Mercado

Em 2001, o preço médio de celulose de mercado no cenário mundial registrou uma redução abrupta de 29% quando comparamos com a média do ano 2000. O preço médio praticado CIF Europa foi de US$ 467/ton. enquanto que no ano 2000 este preço foi praticado a US$ 657/ton.

Esta redução de preço deve-se praticamente a desaceleração da economia mundial, que ocasionou uma redução de consumo de papel aumentando assim os estoques mundiais, principalmente os estoques Norscan que chegaram a atingir, em meados de 2001, o patamar de 2 milhões de toneladas, bem acima do nível normal ( 1,6 milhões de toneladas).

Desempenho Operacional

A produção de celulose totalizou 326,3 mil toneladas de celulose de fibra curta branqueada, 35,2 mil tons. acima da realizada em 2000 que já tinha sido recorde histórico da empresa, conseqüência do intenso programa de Investimentos.

  2 0 0 1

2 0 0 0

Produção (mil tons)

326,3

291,1

Através de um programa de investimento industrial, florestal, social e também na redução do impacto ambiental a Jari vem contribuindo com a preservação do meio ambiente. Em 2001, foram produzidas 326,3 mil toneladas de celulose ECF (Elemental Chlorine Free), correspondentes a 100% da produção total do ano, enquanto que no ano anterior, foram produzidas 178,3 mil toneladas de celulose ECF, o equivalente a 61 % do volume total.

Desempenho Comercial Consolidado

O volume total de vendas de celulose no ano de 2001 foi de 342,1mil toneladas de celulose comparado a 273,8 mil toneladas do exercício anterior, representando um crescimento de 25%. Deste total, 85,9% foi destinado à exportação, sendo a Europa o principal mercado da empresa, com 56% do volume vendido.

 

2 0 0 1

2 0 0 0

Vendas (mil tons)

342,1 100,0%

273,8 100,0%

Brasil

48,1 14,1%

31,7 11,6%

Europa

193,4 56,5%

180,5 65,9%

América Latina

0,5 0,2%

 

América do Norte

29,2 8,5%

30,6 11,2%

Ásia

70,9 20,7%

31,0 11,3%

 

 

2 0 0 1

2 0 0 0

Var. 2001/2000

Vendas FOB (US$ MM - Fasb 52)

127,8

149,6

-15%

Preço FOB (US$/ton - Fasb 52)

374

546

-32%

Os preços menores obtidos em 2001 refletem a queda no mercado internacional de celulose durante todo o exercício.

Resultado Consolidado

A empresa apresentou em 2001 um prejuízo de R$ 210,0 milhões contra R$ 288,8 milhões no ano anterior. Este resultado está afetado principalmente pelas despesas financeiras líquidas (R$ 256,7 milhões), como conseqüência da volatilidade do câmbio.

Durante o exercício de 2000 foram contratadas empresas especializadas para o levantamento das contingências da Jari Celulose e suas controladas. O resultado atualizado desse levantamento está descrito na nota explicativa nš 12.

Investimentos

As inversões somaram US$ 31,8 milhões, comparados com US$ 37,4 milhões de 2000. A empresa está implementando um programa de investimentos visando recuperar o atraso ocasionado pela contenção de gastos imposta pela recente dificuldade financeira da empresa.

Estrutura de Capital Consolidado

A Jari Celulose encerrou o exercício com um endividamento consolidado de R$ 1.133,6 milhões.

No primeiro trimestre de 2000, foi fechado um acordo de renegociação desta dívida, subordinando sua amortização à geração de caixa presumida da empresa para os próximos 11 anos. Por esta renegociação, está assegurada uma amortização mínima de 27% de seu valor, e o que não for possível pagar neste período por esta geração de caixa estará automaticamente quitado. Este acordo já conta com adesão de folgada maioria dos credores, sendo que há boas perspectivas de estendê-lo aos demais credores.

Reestruturação Organizacional

Em dezembro de 1998, a administração da Companhia transferiu as atividades operacionais da Jari Celulose S.A. para sua controlada integral Jarcel Celulose S.A. no propósito de preservar o negócio e para que fosse permitida a venda da empresa e reestruturação do passivo financeiro descoberto à época.

Com a transferência do controle acionário, a equalização parcial do passivo financeiro (vide nota explicativa 8) e devido aos altos custos administrativos e fiscais, a atual administração decidiu pela a incorporação da Jarcel Celulose S.A. em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1o de novembro de 2001

Agradecimentos

A Administração reconhece em seus colaboradores uma dedicação e empenho que têm sido capazes de superar os maiores desafios, como os que se apresentaram para nós. Agradece também o apoio recebido de fornecedores, prestadores de serviços, instituições financeiras, acionistas e comunidade.

Monte Dourado, 19 de março de 2002.
A Administração

Conselho de Administração

Sérgio Antônio Garcia Amoroso
Presidente
José Aparecido Montagnana
Conselheiro
Seiji Shiguematsu
Conselheiro
Décio Zylbersztajn
Conselheiro
Carlos Edson Shiguematsu
Conselheiro
Sebastião Martins Ferreira Junior
Conselheiro
Brás Ferreira Machado
Conselheiro
Domingos Carelli Netto
Conselheiro
Jorge Francisco Henriques
Conselheiro

Diretoria

José Cláudio Sardinha
Diretor Presidente e Diretor de Relações com Investidores
Jorge Luiz Salomão Safe
Diretor
Rubens Francisco Tocci
Diretor
Miriam Cristina Bragion Bertoloti
Diretor
Ana Maria de Almeida Vianna
Diretor
Aurélio Wackslavowski
Diretor


PARECER DOS AUDITORES INDEPENDENTES topo

19 de março de 2002
Aos Administradores e Acionistas
Jari Celulose S.A.

1. Examinamos os balanços patrimoniais da Jari Celulose S.A. e os balanços patrimoniais consolidados da Jari Celulose S.A. e suas controladas em 31 de dezembro de 2001 e de 2000 e as correspondentes demonstrações do resultado, das mutações do passivo a descoberto (2000 - patrimônio líquido) e das origens e aplicações de recursos da Jari Celulose S.A. e as correspondentes demonstrações consolidadas do resultado e das origens e aplicações de recursos dos exercícios findos nessas datas, elaborados sob a responsabilidade da administração da companhia. Nossa responsabilidade é a de emitir parecer sobre essas demonstrações financeiras.

2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria aplicáveis no Brasil, que requerem que os exames sejam realizados com o objetivo de comprovar a adequada apresentação das demonstrações financeiras em todos os seus aspectos relevantes. Portanto, nossos exames compreenderam, entre outros procedimentos: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e os sistemas contábil e de controles internos das companhias, (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgados e (c) a avaliação das práticas e estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da companhia, bem como da apresentação das demonstrações financeiras tomadas em conjunto.

3. Somos de parecer que as referidas demonstrações financeiras apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Jari Celulose S.A. e da Jari Celulose S.A. e suas controladas em 31 de dezembro de 2001 e de 2000 e o resultado das operações, as mutações do passivo a descoberto (2000 - patrimônio líquido) e as origens e aplicações de recursos da Jari Celulose S.A. dos exercícios findos nessas datas, bem como o resultado consolidado das operações e as origens e aplicações de recursos consolidadas desses exercícios, de acordo com os princípios contábeis previstos na legislação societária brasileira.

4. Durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2001, a Jari Celulose S.A. apurou um prejuízo de R$ 209.071 mil; havia acumulado, até essa data, prejuízos de R$ 1.101.412 mil, apresentou passivo a descoberto de R$ 206.486 mil e excesso de passivos sobre ativos circulantes de R$ 219.487 mil, o que denota a necessidade de obtenção de lucratividade futura e de ingresso de recursos sob a forma de capital e/ou de financiamentos de longo prazo. A companhia elaborou as demonstrações financeiras de 2001 de acordo com os princípios contábeis aplicáveis a empresas operando em regime normal e, conseqüentemente, essas demonstrações não contemplam os ajustes que poderiam vir a ser necessários se a companhia tivesse que realizar seu ativo e liquidar o passivo, obrigações contingentes e compromissos, de outra forma que não a do curso normal dos negócios e por valores diferentes dos contabilizados.

Pricewaterhouse Coopers
Luiz Márcio Malzone

Auditores Independentes
Sócio CRC-SP-160-S-PA
Contador CRC- RJ-31.376-O-S-PA


QUADRO I - BALANÇO PATRIMONIAL topo
EM 31 DE DEZEMBRO
Em milhares de reais

 

Controladora

Consolidado

ATIVO

2001

2000

2001

2000

CIRCULANTE

Disponibilidade

7.252

127

8.696

8.027

Aplicações financeiras

12.343

-

36.501

28.414

Contas a receber de clientes

9.218

-

59.470

33.718

Contas a receber de empresascontroladas

183.516

218.491

-

-

Impostos a recuperar

5.006

2.043

5.006

5.004

Estoques

58.108

230

61.354

64.185

Despesas antecipadas

3.484

3

3.484

2.891

Demais contas a receber

13.623

984

15.642

13.351

 

292.550

221.878

190.153

155.590

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

Impostos a recuperar

16.294

10.443

16.294

15.151

Contas a receber de empresacontrolada

15

-

-

-

 

16.309

10.443

16.294

15.151

PERMANENTE

Investimentos

. Em empresas controladas

7.413

310.068

-

-

. Em outras empresas

604

-

604

604

Imobilizado

915.738

560.807

915.942

902.646

Diferido

5.281

3.485

17.454

14.643

 

929.036

874.360

934.000

917.893

TOTAL DO ATIVO

1.237.895

1.106.681

1.140.447

1.088.634

PASSIVO A DESCOBERTO

Capital social

(823.264)

(823.264)

(823.264)

(823.264)

Reserva de reavaliação

(71.662)

(74.811)

(71.662)

(74.811)

Prejuízos acumulados

1.101.412

897.972

1.102.387

897.972

 

206.486

(103)

207.461

(103)

TOTAL DO ATIVO E DO PASSIVO A DESCOBERTO

1.444.381

1.106.578

1.347.908

1.088.531

 

  Controladora Consolidado
PASSIVO 2001 2000 2001 2000
CIRCULANTE
Fornecedores 25.510 6.703 25.515 23.487
Contas a pagar a empresas controladora e controladas 67.763 111.075 - -
Salários e encargos sociais 657 96 770 1.586
Obrigações tributárias 26.103 9.479 26.612 15.975
Financiamentos 319.347 221.860 320.423 222.396
Provisão para perda em investimentos 53.524 15.285 - -
Outras contas a pagar 19.133 1.427 20.858 18.291
  512.037 365.925 394.178 281.735
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
Financiamentos 796.479 643.556 813.214 657.123
Encargos sociais a pagar 21.701 - 21.701 19.676
Contas a pagar 108 - 108 108
Provisão para contingências 90.091 70.650 93.025 102.708
Provisão para contribuição social e imposto de renda 23.965 26.447 23.965 26.447
  932.344 740.653 952.013 806.062
PARTICIPAÇÃO DOS ACIONISTAS MINORITÁRIOS - - 1.717 734
TOTAL DO PASSIVO 1.444.381 1.106.578 1.347.908 1.088.531


QUADRO II - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO topo
EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO
em milhares de reais

 

Controladora

Consolidado

 

2001

2000

2001

2000

RECEITA BRUTA DE VENDAS

47.648

-

334.078

336.659

Fretes, seguros e entrepostos

(6.223)

-

(37.034)

(27.458)

Impostos e contribuições sobre vendas

(2.098)

-

(9.337)

(7.261)

RECEITA LÍQUIDA

39.327

-

287.707

301.940

Custo dos produtos vendidos

(31.136)

-

(189.740)

(162.217)

LUCRO BRUTO

8.191

-

97.967

139.723

RECEITAS (DESPESAS) OPERACIONAIS

Com vendas

-

-

(3.491)

(2.958)

Administrativas

(4.688)

(1.258)

(28.728)

(34.306)

Infra-estrutura

(1.236)

(7.250)

(4.127)

Honorários dos administradores

(929)

(566)

(2.279)

(2.576)

Arrendamento da fábrica ( liquido do custo de depreciação de R$ 22.517;
2000 - R$ 26.987)

102.443

114.227

-

-

Outras receitas (despesas) operacionais líquidas

2.727

(77.922)

(11.160)

(115.143)

 

98.317

34.481

(52.908)

(159.110)

PARTICIPAÇÃO EM EMPRESAS CONTROLADAS

Resultado de equivalência patrimonial

(28.788)

(70.132)

-

-

Provisão para perdas

(1.402)

(2.747)

-

-

 

(30.190)

(72.879)

-

-

Receitas financeiras

(1.613)

6.274

36.923

15.472

Despesas financeiras

(284.563)

(259.778)

(293.623)

(285.304)

PREJUÍZO OPERACIONAL

(209.858)

(291.902)

(211.641)

(289.219)

Receitas não operacionais líquidas

787

-

1.595

451

RESULTADO ANTES DO IMPOSTO RENDA

(209.071)

(291.902)

(210.046)

(288.768)

Provisão de imposto de renda

-

-

-

(11)

PREJUÍZO DO EXERCÍCIO

(209.071)

(291.902)

(210.046)

(288.779)

PREJUÍZO POR AÇÃO DO CAPITAL
SOCIAL FINAL - R$

(0,071)

(0,099)

(0,071)

(0,098)


QUADRO III - DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PASSIVO A DESCOBERTO topo
em milhares de reais

  Capital social Reserva de reavaliação Prejuízos acumulados Total
Em 31 de dezembro de 1999 823.264 78.023 (555.291) 345.996
Ajuste do exercício anterior - reversãodo diferimento da variação cambial do primeiro trimestre de 1999 - - (56.522) (56.522)
Realização da reserva de reavaliação - (5.743) 5.743 -
Realização e redução dos impostos sobre reserva de reavaliação - 2.531 - 2.531
Prejuízo do exercício     (291.902) (291.902)
Em 31 de dezembro de 2000 823.264 74.811 (897.972) 103
Realização da reserva de reavaliação - (5.631) 5.631 -
Realização e redução dos impostos sobre reserva de reavaliação - 2.482 - 2.482
Prejuízo do exercício - - (209.071) (209.071)
Em 31 de dezembro de 2001 823.264 71.662 (1.101.412) (206.486)


QUADRO IV - DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS topo
EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO
em milhares de reais

  Controladora Consolidado
  2001 2000 2001 2000
ORIGENS DOS RECURSOS
Aumento do exigível a longo prazo (2000 - principalmente renegociação da dívida) 24.799 534.932 30.588 548.499
Aumento da participação dos minoritários - - 983 -
TOTAL DOS RECURSOS OBTIDOS 24.799 534.932 31.571 548.499
APLICAÇÕES DE RECURSOS NAS OPERAÇÕES SOCIAIS
Prejuízo do exercício 209.071 291.902 210.046 288.779
Receitas (despesas) que não afetamo capital circulante:
Resultado de equivalência patrimonial (28.788) (70.132) - -
Depreciação, amortização e exaustão (33.160) (27.356) (57.974) (53.862)
Variações monetárias e cambiais do exigível a longo prazo (129.841) (47.159) (129.845) (49.497)
Provisão para contingências 12.000 (70.650) 12.000 (102.708)
Valor residual de ativo permanente baixado (53) (32.710) (53) (32.710)
  29.229 43.895 34.174 50.002
Incorporação - Capital circulante líquido da controlada 21.692 - - -
Transferência de financiamentos de longo prazo para o circulante - 8 - 8
Aumento do realizável a longo prazo 592 - 1.143 -
No ativo permanente
. Imobilizado 46.937 68.776 69.608 91.921
. Diferido 1.789 15 4.526 1.355
Redução da participação dos minoritários - - - 94
TOTAL DAS APLICAÇÕES 100.239 112.694 109.451 143.380
AUMENTO (REDUÇÃO) NO CAPITAL CIRCULANTE (75.440) 422.238 (77.880) 405.119
VARIAÇÃO NO CAPITAL CIRCULANTE
Ativo circulante
. No fim do exercício 292.550 221.878 190.153 155.590
. No início do exercício 221.878 128.089 155.590 122.988
  70.672 93.789 34.563 32.602
Passivo circulante
. No fim do exercício 512.037 365.925 394.178 281.735
. No início do exercício 365.925 694.374 281.735 654.252
  146.112 (328.449) 112.443 (372.517)
AUMENTO (REDUÇÃO) NO CAPITAL CIRCULANTE (75.440) 422.238 (77.880) 405.119


NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS topo

1 - Contexto Operacional

A Jari Celulose S.A. tem como objeto social a produção e venda, principalmente para o mercado externo, de celulose branqueada, matéria-prima para a produção de papel, obtida de madeira cultivada, bem como a participação no capital de outras sociedades.

Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1o de novembro de 2001 foi aprovada a incorporação de sua controlada integral Jarcel Celulose S.A., cujo investimento nessa data montava a R$ 281.391 mil.

O efeito da incorporação nas demonstrações financeiras foram os seguintes:

Descrição Valor (em milhares de reais)
Ativo
Circulante 296.254
Realizável a longo prazo 5.274
Permanente 349.341
Passivo
Circulante 317.946
Exigível a longo prazo 51.532
Efeito liquido da incorporação 281.391

 

2- Principais Diretrizes Contábeis

As demonstrações financeiras foram elaboradas de acordo com os princípios contábeis previstos na legislação societária brasileira, aplicáveis a empresas operando em regime normal.

Os seguintes principais procedimentos foram adotados:

I - Demonstrações Financeiras

(a) Regime contábil - É adotado o de competência de exercícios.

(b) Estoques - São avaliados ao custo médio de aquisição ou produção, que não excede ao valor de reposição ou realização.

(c) Permanente - Demonstrado ao custo corrigido monetariamente até 31 de dezembro de 1995, combinado com os seguintes aspectos:

. Investimentos - São avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Para os investimentos em controladas que possuem passivo a descoberto foi constituída provisão para perdas (Nota 5).
. Depreciação - É calculada pelo método linear às taxas anuais mencionadas na Nota 7, que levam em consideração a vida útil e econômica dos bens.
. Exaustão das florestas - É calculada com base na relação entre a área plantada por espécie de madeira e a área cortada. A área plantada é segregada por ano de plantio para efeito de determinação da exaustão das florestas.
. Reavaliação de bens do imobilizado - Efetuada em 1993, com base em avaliação de peritos independentes.
. Diferido - Os itens do ativo diferido são amortizados, pelo método linear, principalmente em 10 anos.

(d) Direitos e obrigações sujeitas a cláusulas de correção - As obrigações por financiamento, os créditos por venda no mercado externo e os demais direitos e obrigações sujeitos a variações monetárias, são ajustados às taxas cambiais ou aos índices contratuais específicos vigentes, conforme seja aplicável.

(e) Parada da fábrica - Os custos relativos à parada da fábrica para manutenção programada anual, acrescidos dos custos fixos referentes ao período da parada, são provisionados mensalmente e atribuídos aos custos da produção do ano.

 

II - Demonstrações Financeiras Consolidadas

Estão sendo apresentadas demonstrações financeiras consolidadas, as quais foram elaboradas segundo critérios definidos na legislação das sociedades por ações e Instrução CVM 247/96. As empresas incluídas na consolidação e a participação da companhia nessas empresas são demonstradas abaixo

 

2001

2000

Empresas controladas

Participação %

Jari Overseas Ltd.

100

100

Jari Comercial Exportadora Ltda.

100

100

Jarcel Celulose S.A. (1)

100

100

Jari International Inc.

-

100

Jarcel International Ltd. 100 100

Sasi Serv. Agrários e Silviculturais Ltda.

100

100

Mineração Guanambi Ltda.

100

100

Pulp UK Limited

100

100

Jari Energética S.A.- Jesa

81

90

(1) Incorporada pela controladora em 1º de novembro de 2001.

Nas demonstrações financeiras consolidadas são eliminados os investimentos, os resultados não realizados entre as empresas, os resultados das equivalências patrimoniais, as receitas e despesas por negócios realizados entre as empresas, os saldos entre as empresas nos ativos e passivos circulantes e de longo prazo, bem como é destacado o valor da participação dos minoritários no resultado e no patrimônio líquido consolidados.

 

3 - Impostos a Recuperar

Referem-se, basicamente, a créditos fiscais não aproveitados de Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, no montante de R$ 14.731 mil, dos quais R$ 3.463 mil estão reconhecidos no curto prazo, e a crédito presumido sobre Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, no montante de R$ 6.205 mil, dos quais R$ 1.179 mil estão reconhecidos no curto prazo.

 

4 - Estoques
milhares de reais

 

Controladora

Consolidado

 

2001

2000

2001

2000

Produtos acabados

9.062

-

12.308

25.403

Produtos em processo

617

-

617

762

Materias-primas

6.137

-

6.137

7.277

Material de manutenção, consumo e peças de reposição

28.138

230

28.138

19.653

Materiais em transito

9.760

-

9.760

5.675

Rebanho para corte

2.262

-

2.262

1.312

Adiantamento a fornecedores

2.132

-

2.132

4.103

 

58.108

230

61.354

64.185

 

5 - INVESTIMENTOS EM EMPRESAS CONTROLADAS
milhares de reais

 

Informações das Investidas

Provisão para perda em investimentos

Investimento

 

 

% de participação

Patrimônio Líquido

Resultado do exercício

2001

2000

2001

2000

Jari Overseas Ltd.

100

(19.475)

(1.337)

(19.475)

(15.285)

-

-

Jari Comercial Exportadora Ltda

100

-

-

-

-

-

-

Jari International Inc.

100

(7.449)

(4.476)

(7.449)

-

-

-

Jarcel International Ltd

100

(19.940)

(29.576)

(19.940)

-

-

-

Jarcel Celulose S.A.

100

-

-

-

-

-

310.068

Sasi Serviços .Agrários e Silviculturais Ltda.

100

(6.645)

(183)

(6.645)

-

-

-

Mineração Guanambi Ltda

100

(15)

(3)

(15)

-

-

-

Pulp UK Limited

100

175

60

-

-

175

-

Jari Energética S.A - Jesa

81

8.955

-

-

-

7.238

-

 

 

 

 

(53.524)

(15.285)

7.413

310.068

 

6 - Transações e Saldos com Partes Relacionadas
milhares de reais

 

Resultado do exercício

 

Ativo Circulante

Realizável a Longo Prazo

Passivo circulante

Vendas de celulose

Variação cambial

Arrendamento da fabrica

Jarcel Celulose S.A.

-

-

-

-

-

124.960

Jari Overseas Ltd

75.085

-

63.907

(4.989)

-

Jarcel International Ltd

87.936

-

3.726

33.364

(6.503)

-

Jari International Inc.

12.678

-

-

2.508

(11.449)

-

Jari Energética S.A.

2.874

-

-

-

-

-

Sasi Serviços Agrários e Silviculturais Ltda

4.769

-

68

-

-

-

Pulp Uk Limited

162

-

62

-

-

-

Mineração Guanambi Ltda

12

15

-

-

-

-

Em 31 de dezembro de 2001

183.516

15

67.763

35.872

(22.941)

124.960

Em 31 de dezembro de 2000

218.491

-

111.075

-

(2.936)

142.905

 

7 - Imobilizado
milhares de reais

 

Taxas anuais de depreciação %

Controladora

Consolidado

 

2001

2000

2001

2000

Terras, benfeitorias e estradas

-

243.645

47.608

243.712

241.669

Fábrica de celulose, máquinas e equipamentos

3 a 10

542.984

501.741

543.136

517.483

Ferrovia, instalações e veículos

4, 5, 10 e 20

41.469

7.302

41.504

41.494

Edifícios

4

129.301

110.362

129.436

129.436

Obras em andamento e imobilizações em curso

-

100.321

65.301

100.321

71.864

Florestas

Nota 2-I (c)

214.924

214.924

189.186

Outros

-

17.627

25.846

17.838

30.184

 

-

1.290.271

758.160

1.290.871

1.221.316

Depreciação e exaustão acumulada

 -

(374.533)

(197.353)

(374.929)

(318.670)

 

-

915.738

560.807

915.942

902.646

 

8 - Financiamentos
milhares de reais

 

Controladora

Consolidado

 

2001

2000

2001

2000

DO EXTERIOR (1)

Juros entre 8,16% e 11,18% a.a. e variação cambial do dólar norte-americano

48.392

38.127

48.392

38.127

LOCAIS

Libor + juros de 12,01% a.a. e variação cambial do dólar norte-americano

2.434

1.901

2.434

1.901

Variação da TR

804

813

804

813

Juros entre 8,5% e 9,6% a.a. e variação cambial do dólar norte-americano

47.771

37.804

47.771

37.804

Juros entre 34,49% e 46,57% a.a. e variação cambial do dólar norte-americano

171.306

117.487

171.306

117.487

Juros de 8% a.a. e variação cambial do dólar norte-americano (novação de dívida)

845.119

669.284

862.930

683.387

   

1.115.826

865.416

1.133.637

879.519

Circulante

319.347

221.860

320.423

222.396

Longo prazo

796.479

643.556

813.214

657.123

 

1.115.826

865.416

1.133.637

879.519

(1) Valor do principal e juros em US$ mil

20.855

19.498

20.855

19.498

Em novembro de 1996, a companhia interrompeu o pagamento da dívida junto às instituições financeiras. Entretanto, em 22 de fevereiro de 2000, foi assinado contrato de novação da divida subordinando sua amortização à geração de caixa presumida da empresa para os próximos 11 anos. Por essa renegociação está assegurada uma amortização mínima de 27% do seu valor, e o que não for possível pagar neste período pela geração de caixa, estará automaticamente quitado. No exercício corrente, foram pagos R$ 15.518 mil. Este acordo já conta com adesão de folgada maioria dos credores (81,63%), sendo que são boas as perspectivas de estendê-lo aos demais credores. Em decorrência do referido contrato serão encerrados os processos judiciais de cobrança em relação aos bancos que aderiram ou vierem a aderir ao acordo.

O saldo devido às instituições bancárias que aderiram ao acordo de novação de dívida foi recalculado, de acordo com os parâmetros definidos no contrato, cujos efeitos foram lançados diretamente no resultado do exercício de 2000, no montante de aproximadamente R$ 71,3 milhões e estão apresentados na rubrica de despesas financeiras.

O contrato de novação possui como garantia fiança assinada pelo acionista controlador.

 

9 - Patrimônio Líquido

O capital social em 31 de dezembro de 2001 e 2000 é dividido em 2.945.484.105 ações sem valor nominal, todas nominativas, sendo 1.178.193.642 ações ordinárias e 1.767.290.463 ações preferenciais, das quais 316.620.000 da classe A, 1.135.653.034 da classe B e 315.017.429 da classe C.

As ações preferenciais têm direito à participação integral nos lucros em igualdade de condições com as ações ordinárias, prioridade sobre as ações ordinárias no reembolso do capital no caso de liquidação da companhia e não têm direito a voto, exceto quanto:

. A classe A, enquanto representar pelo menos um décimo do capital social, tem direito a eleger , em votação em separado, um ou dois membros do Conselho de Administração, caso seja composto de até cinco ou mais de cinco membros, respectivamente; e são, a qualquer tempo, conversíveis em ações ordinárias ou preferenciais classe B, a pedido dos acionistas.

. A classe C, enquanto representar pelo menos um décimo do capital social, tem direito a eleger um membro do Conselho de Administração e um membro do Conselho Fiscal e seu suplente; e são, a qualquer tempo, conversíveis em preferenciais classe B, a pedido dos acionistas.

 

10 - Conciliação Eentre o Patrimônio Líquido (Passivo a Descoberto) e o Pejuízo do Exercício da Controladora e do Consolidado
milhares de reais

 

Patrimônio líquido

Prejuízo do exercício

 

2001

2000

2001

2000

CONTROLADORA

(206.486)

103

(209.071)

(291.902)

Eliminação do lucro nos estoques

(975)

-

(975)

3123

CONSOLIDADO

(207.461)

103

(210.046)

(288.779)

 

11 - Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro

I. Prejuízos fiscais a compensar

Em 31 de dezembro de 2001 a companhia apresenta prejuízos fiscais a compensar com lucros tributáveis futuros de R$ 978.664 mil (2000 - R$ 800.417mil).

II. Base negativa de contribuição social a compensar

Em 31 de dezembro de 2001 a companhia apresenta base negativa de contribuição social para compensação com bases positivas futuras de R$ 748.440 mil (2000 - R$ 579.503 mil).

III. Encargos tributários sobre reserva de reavaliação

Em 1993 foram reconhecidos os encargos tributários (Imposto de Renda e Contribuição Social sobre lucro líquido) de longo prazo incidentes sobre a reserva de reavaliação. A realização dessas obrigações ocorre pela depreciação dos respectivos ativos ou em eventuais baixas ou alienações.

A Jari, por ter sido titular do programa Befiex anteriormente à data da publicação da Lei 8981/95, teve assegurado o seu direito de compensar, integralmente, os prejuízos fiscais nos termos da legislação do Befiex.

 

12 - Contigências

Em 2000, a Companhia contratou empresa especializada com a finalidade de identificação e quantificar contingências diversas, da Jari e de suas controladas

Conforme critérios definidos pelo IBRACON, a administração, com base na opinião dos seus consultores jurídicos, classificou as contingências identificadas em três grupos, tendo em vista a perspectivas de perdas futuras: prováveis, possíveis e remontas

Em 31 de dezembro de 2001 a posição atualizada dessas contingências cujas probabilidades de perda foram consideradas como prováveis, totalizaram R$ 93.025 mil (2000 - R$ 102.708 mil), sendo R$ 90.091 mil (2000 - R$ 70.650 mil) na Jari Celulose S.A. e R$ 2.934 mil (2000 R$ - 32.057 mil) em suas controladas, estando apresentadas nas rubricas Provisão para contingências e Outras despesas operacionais no passivo exigível a longo prazo e no resultado do exercício, respectivamente. As contingências cujas probabilidades de perda foram consideradas como possíveis montam a R$ 41 milhões, sendo R$ 40 milhões na Jari Celulose S.A. e R$ 1 milhão nas suas controladoras.

 

13 - Instrumentos Financeiros

(a) Considerações gerais - A Companhia está exposta ao risco de mercado devido a cenário macro econômico que impacta diretamente os preços do mercado internacional de celulose e papel e a volatilidade cambial.

(b) Risco de preço - A Jari por ser exportadora de celulose de mercado está exposta às grandes oscilações de preços que vem ocorrendo no setor em função da oscilação do estoque mundial, novas capacidades entrando no mercado e da produção mundial de papel. O preço lista da celulose de eucalipto de mercado no norte da Europa variou de US$ 970/ tons (outubro de 1995) a US$ 380/ tons (agosto de 2001). Em dezembro de 2001 o preço foi de US$ 420/ tons.

(c) Risco da taxa de cambio - O risco cambial da Jari é bastante reduzido devido principalmente à concentração das vendas no mercado externo e que grande parte dos custos estarem atrelados ao real.

Apesar de 81,63% da divida estar atrelada ao dólar norte americano, isso não representa risco cambial devido a amortização da divida estar subordinada a geração de caixa.(vida nota 8).

(d) valor de mercado dos instrumentos financeiros - Parte significativa dos empréstimos e financiamentos mantidos pela Jari Celulose S.A. e suas controladas em 31 dezembro de 2001 possui cláusulas específicas quanto aos prazos e condições de amortização, de acordo com o contrato de novação da dívida assinado em 22 de fevereiro de 2000 conforme comentado na Nota 8. Os demais ativos e passivos monetários estão contabilizados a valores aproximados de seus valores de mercado.

 

14 - Outras Garantias e Responsabilidades

Diversos imóveis da companhia foram penhorados ou arrestados por bancos, que não aderiram ao acordo de novação da dívida, em processo de cobrança dos empréstimos.

 

15 - Cobertura de Seguros

A administração da companhia entende que a cobertura de seguros adotada é suficiente para fazer face a possíveis perdas que possam decorrer de quaisquer sinistros.

 

topo